A importância do vácuo nos sistemas VRF
Fazer o vácuo corretamente em um sistema VRF não é apenas uma etapa do processo de instalação. Na verdade, essa é uma das fases mais críticas para garantir a vida útil do equipamento e o bom funcionamento do sistema como um todo. No entanto, ainda existe bastante dúvida sobre o tempo ideal para essa prática, bem como sobre a sua real necessidade.
Se você está começando na área de climatização ou mesmo se já trabalha com sistemas VRV/VRF, este artigo vai ajudar a entender, de forma clara e direta, por que o vácuo é essencial, qual o tempo ideal e o que evitar durante essa etapa.
Antes de mais nada, saiba que VÁCUO NÃO É FUNÇÃO DE TEMPO!!! Por enquanto memorize isso, mais pra frente explico melhor.

O que significa fazer vácuo em um sistema VRF?
Fazer o vácuo significa remover totalmente o ar, a umidade e os gases não condensáveis da tubulação do sistema antes de liberar o fluido refrigerante. Assim, nos sistemas VRF (ou VRV), que são sofisticados e sensíveis, essa remoção se torna ainda mais fundamental. Claro, é fundamental em qualquer tipo!!
Por que o vácuo é indispensável?
Existem várias razões pelas quais o vácuo não pode ser ignorado:
- Remoção da umidade interna, que pode gerar gelo e comprometer o óleo do compressor;
- Evita contaminações no fluido refrigerante, como ácidos formados por reação com a umidade;
- Garante o desempenho térmico esperado, impedindo bolhas de ar e gases inertes;
- Preserva a integridade do sistema VRF, que é altamente sensível a contaminantes. Na verdade não é só VRV/VRF que é assim. Você bom profissional bem sabe que este é um procedimento fundamental seja qual for o tipo de condicionador, refrigerador, etc.
Quanto tempo é necessário para fazer o vácuo em VRF?
Essa é a pergunta-chave. O tempo para fazer o vácuo depende de vários fatores, como:
- Comprimento da tubulação;
- Quantidade de unidades internas;
- Capacidade da bomba de vácuo. Neste caso, recomendo no mínimo uma de 12 cfm (cfm = “cubic feet per minute”).
- Temperatura ambiente; Minha recomendação exclusiva: NÃO faça vácuo em dias chuvosos, muito frios, úmidos.Você vai se atrasar e não vai fazer bem feito!!
- Tipo e estado do óleo na bomba. Saiba que de acordo com alguns fabricantes do produto, o óleo da bomba deve ser trocado a cada processo de vácuo. Sim, acha muito? Se sua bomba tiver um visor, acompanhe o estado do óleo visualmente.
Como eu disse logo no começo, o processo de vácuo ou processo de desidratação não é função do tempo. Por exemplo, se em uma instalação pequena de VRV, digamos, condensador de 8hp com 5 evaporadores conectados e linha curta, a bomba pode ficar funcionando por dias. Se não atingir 500uHg o vácuo é contraprodutivo, inadequado.. É necessário seguir etapas.
Etapas do processo de vácuo ideal
- Pré-avaliação das conexões – Certifique-se de que não há vazamentos antes de iniciar.
- Utilização de manifold digital – Para medir com precisão o vácuo atingido. Na verdade, use um Manovacuômetro Digital. São mais caros, mais vale muito a pena.
- Atingir pelo menos 500 mícrons – Esse é o padrão mínimo recomendado para sistemas VRF. Praticamente todos os fabricantes exigem esse valor até 1 metro do condensador.
- Fazer estabilização – Após atingir 500 mícrons, desligue a bomba e observe se o vácuo se mantém por pelo menos 10 minutos. Já digo aqui que se não “segurar” os fabricantes costumam não prosseguir com o Start-Up (Na imensa maioria dos casos, o Start Up é realizado pelo fabricante)
Cuidados essenciais durante o vácuo
Evitar erros comuns pode garantir o sucesso dessa etapa. Veja alguns cuidados fundamentais:
- Verificar a validade do óleo da bomba de vácuo antes do serviço;
- Evitar pressa — encurtar o tempo do vácuo pode resultar em sérios prejuízos futuros;
- Utilizar vacuômetro digital confiável, pois somente ele indica se o nível de mícrons foi realmente alcançado.
Por que ainda existem instaladores que pulam essa etapa?
Infelizmente, a pressa, a falta de conhecimento técnico e a crença de que “não faz tanta diferença assim” ainda dominam muitos instaladores. Porém, a ausência do vácuo é um dos motivos mais frequentes para falhas precoces em compressores, problemas com sensores e apresentação de códigos de erros nos sistemas VRF.

Palavras do especialista
“Em mais de 20 anos atuando com sistemas VRV e VRF, posso afirmar com convicção: a maioria dos problemas de instalação começa por um vácuo mal feito ou inexistente. Quer evitar dor de cabeça? Faça o vácuo completo e com instrumentos adequados.” João Agnaldo Ferreira, especialista em sistemas VRF/VRV
Conclusão
Portanto, sim, é absolutamente necessário fazer vácuo em sistemas VRF. E mais: é preciso realizar com atenção, técnica e os equipamentos corretos. O tempo, embora variável, deve respeitar os princípios técnicos. E como já afirmei desde o começo, vácuo NÃO É FUNÇÃO DE TEMPO.
O cliente pode até não perceber imediatamente se você fez ou não o vácuo direito. Mas, com o tempo o sistema perceberá e cobrará a conta depois, com falhas, custos de manutenção altíssimos e trocas de peças. Ás vezes, troca dos equipamentos. E isso pode manchar a reputação do seu trabalho.
O “PULO DO GATO”:
- Utilize tubos de cobre conectados à boma e ao Manifold. Esqueça as mangueiras, mesmo aquelas de alta pressão e mais caras.
- Se demorar a atingir o valor de 500mHg, quebre o vácuo uma vez com o próprio fluido refrigerante e repita o processo. Você notará que o valor será atingido rapidamente.
Por fim, faça certo e com técnica. Em seguida, vá em frente com o processo de vácuo!
Abs
João Agnaldo Ferreira



























































