
A dor de cabeça que começa com um simples pingo d’água
Se você trabalha com instalação ou manutenção de ar-condicionado, já deve ter enfrentado pelo menos uma vez um problema de vazamento de água. E, na maioria esmagadora dos casos, o vilão é o dreno.
Mas, afinal, por que o dreno dá tanto problema em sistemas de climatização? Será que é falha de projeto, erro de instalação ou descuido na manutenção? Neste artigo, vamos explorar as causas mais comuns, mostrar como evitar esses transtornos e explicar por que o dreno exige mais atenção do que muitos imaginam.
Qual é a função do dreno no ar-condicionado?
Antes de mais nada, é importante entender o papel do dreno. Toda unidade evaporadora gera condensação, especialmente em ambientes úmidos ou quando o equipamento está operando por longos períodos. Em outras palavras, imagine um split no modo resfriamento. Muito bem, o evaporador que está dentro do ambiente precisa trocar calor com o ar desse ambiente de modo a esfriá-lo. Isso mesmo, para evaporar o fluido refrigerante precisa ganhar calor e, então isso gera a condensação, lembrando que o processo inverso ocorre na unidade condensadora ou externa.
Então, essa água precisa ser escoada para algum ponto seguro, sem causar danos ou desconforto. Condensação excessiva, ou seja, muita água que vai para o dreno, ocorre ás vezes em áreas extremamente úmidas, como à beira de rios, mares, etc.
A função do dreno, portanto, é simples: coletar e conduzir a água gerada pela condensação até o ponto de descarte. Parece fácil, não é? Mas acredite: é nesse processo que surgem os maiores problemas.
Principais causas de problemas no dreno
1. Instalação mal feita
O erro mais comum. Tubos de dreno instalados com pouco desnível, mal fixados ou com trajetos longos e tortuosos tendem a causar refluxo ou acúmulo de água. Isso leva ao transbordamento da bandeja e ao inevitável gotejamento no ambiente.
2. Falta de sifão em sistemas centrais ou evaporadoras VRF de alta pressão (dutadas)
Quando não se utiliza o sifão corretamente, o ar entra pela tubulação e impede o escoamento. Em sistemas VRF, isso é ainda mais delicado, já que várias evaporadoras compartilham ramais de dreno. Aliás aqui vai o primeiro “PULO DO GATO”. Jamais compartilhe mais do que 3 evaporadoras no mesmo ramal de dreno. Some-se a isso a importância de ter um ramal principal coletando todas as águas, ramal este de diâmetro maior que os derivados. Também é aconselhável que esta linha de dreno tenha um “respiro”. Sim, isso evita grandes bolhas de ar que atrapalham no escoamento.
Quanto ao sifão, são necessários em unidades evaporadoras ou unidades do tipo Fancolete, que têm um potente ventilador, geralmente de capacidades acima de 5TR. Ocorre que em operação existe uma contrapressão do ar que represa a água dentro da bandeja, ou seja, impede que ela escoe pelo dreno. Muito bem, o sifão é para quebrar essa pressão e manter a agua escorrendo pela linha de dreno. Normalmente é um sifão de 10 cm.
3. Entupimento por sujeira ou fungos
Com o tempo, o acúmulo de poeira, mofo e micro-organismos no interior do tubo pode obstruir a passagem da água. Em regiões úmidas, esse processo é ainda mais acelerado.
4. Uso inadequado de bombas de dreno
Muitas vezes, a bomba é mal dimensionada, instalada em posição incorreta ou até mesmo utilizada quando não havia necessidade. Como resultado, falha ao escoar a água e cria riscos de transbordamento. Aqui vai o segundo “PULO DO GATO”. Evite a todo custo a colocação de bombas de dreno. Isso mesmo, só instale se realmente não tem outro jeito de escorrer a água de condensação por gravidade. Por que digo isso? Porque a bomba é mais um item que pode quebrar assim como é mais um item a precisar de manutenção!
5. Ausência de manutenção preventiva
O dreno exige limpeza periódica. Ignorar esse ponto compromete o sistema como um todo. Ainda assim, muitos usuários só lembram disso quando já há vazamento. Neste ponto, lembro que instalações maiores ou mais importantes, é necessário ter um PMOC.

Como evitar problemas com o dreno?
Planejamento desde o projeto
- Analise o trajeto do dreno com cuidado.
- Deixe um desnível mínimo de 1cm a cada 1 metro de tubulação.
- Evite curvas desnecessárias.
Instalação correta faz toda a diferença
- Use tubos com bitola adequada (geralmente PVC 3/4″).
- Verifique o uso de sifão em casos específicos. Conforme relatei acima.
- Nunca instale o dreno por gravidade acima da bandeja da evaporadora. Essa não precisava nem estar aqui no artigo, resolvi deixar como reforço!
Manutenção periódica é fundamental
- Limpeza dos tubos com jato de água ou ar comprimido.
- Aplicação de produtos antimofo nas bandejas. No mercado encontramos bactericidas, fungicidas, algecidas dentre outros. A equipe de manutenção pode, por exemplo, colocar um algecida na forma de barras dentro da bandeja da evaporadora. É só uma dica.
- Inspeção visual da saída de água a cada 6 meses. Ou sempre que necessário.
No caso de bombas de dreno, atenção redobrada (Veja o que já escrevi acima, no item 4 das causas….)
- Verifique se há necessidade real da bomba.
- Observe a altura máxima que ela suporta.
- Mantenha filtros e sensores sempre limpos.
Quando o dreno entope, o que fazer?
Se o dreno já apresenta sinais de entupimento, como gotejamento ou retorno de água para dentro do equipamento, algumas medidas podem resolver:
- Desmonte e limpe a bandeja da unidade interna;
- Utilize uma bomba de sucção para retirar a obstrução do tubo;
- Passe ar comprimido ou água com pressão moderada pela tubulação; Ás vezes até outro gás como Nitrogênio em alta pressão pode ser muito útil.
- Aplique produto antifúngico para prevenir reincidência;
- Faça uma vistoria na inclinação da tubulação para garantir que o escoamento seja natural.
Casos reais mostram a gravidade do problema
Na prática, já vimos instalações onde o cliente teve de refazer o forro de gesso inteiro por conta de um simples dreno entupido. Em outro caso, um equipamento VRF de alto valor parou de funcionar porque a bomba de dreno estava saturada e fez o sensor de nível travar a operação da máquina e apresentar um código de erro (exemplo: Código de erro A3 no VRV Daikin).
Pequenos detalhes, como um tubo mal encaixado ou um sifão mal dimensionado, acabam gerando prejuízos enormes. Isso afeta não apenas a performance do sistema, mas também a reputação de quem instalou.
A responsabilidade do instalador e do cliente
Embora muitos problemas estejam relacionados à instalação, o cliente final também tem sua parcela de responsabilidade. A manutenção periódica deve ser exigida e explicada desde o início da obra.
Além disso, profissionais precisam educar o usuário. Mostrar, por exemplo, onde está o dreno, quando deve ser verificado e quais sinais indicam que algo pode estar errado. Onde tem um PMOC, é obrigação de quem cuida desse importante documento.
Conclusão
Então, por que o dreno dá tanto problema em ar-condicionado? Porque, apesar de parecer uma parte simples do sistema, ele depende de uma série de fatores que exigem técnica, atenção e manutenção. A boa notícia é que a maioria desses problemas pode ser evitada com planejamento e cuidado.
Seja em sistemas splits, multisplits ou VRF, o dreno deve ser tratado com a mesma seriedade que os demais componentes. Afinal, uma instalação de excelência é feita nos detalhes, e o dreno é um deles.
Você instalador lembre-se: Geralmente o dreno é responsabilidade da obra/cliente, NO ENTANTO, você tem de orientar o pessoal da obra sobre como fazer a linha de dreno e descarte de água. Sim, supervisão máxima!!!
Eu fico por aqui!



























































