A evolução contínua dos sistemas de climatização inteligente
O mercado de ar-condicionado no Brasil vive uma verdadeira revolução. E, no centro desse movimento, estão os sistemas VRV/VRF, que se destacam por sua eficiência, modularidade e inteligência embarcada. Se você é do setor técnico, projetista, instalador ou gestor de facilities, precisa estar atualizado com as novidades do setor de VRV/VRF. Este artigo reúne os lançamentos mais importantes, tecnologias inovadoras e tendências que estão moldando o futuro da climatização de ambientes comerciais, residenciais e corporativos.
O que são sistemas VRV/VRF?
Primeiramente, antes de falar das inovações, vale recapitular o conceito. VRV (Variable Refrigerant Volume) é a marca registrada da Daikin, enquanto VRF (Variable Refrigerant Flow) é o nome genérico adotado por outras fabricantes. Assim, ambos designam sistemas de climatização que controlam de forma inteligente a vazão de fluido refrigerante, ajustando-a conforme a necessidade térmica de cada ambiente, o que garante conforto, eficiência energética e controle individualizado.

Componentes principais dos sistemas VRV/VRF
Para entender as inovações recentes, é fundamental compreender os principais elementos desses sistemas:
● Compressor Inverter
O coração do sistema. Ao variar a rotação/velocidade, o compressor inverter ajusta a capacidade do sistema em tempo real, reduzindo o consumo de energia e evitando picos de corrente e de tensão. Os modelos mais modernos já utilizam tecnologia de mancal magnético, que dispensa lubrificação e reduz perdas por atrito.
● Válvulas de expansão eletrônicas
São responsáveis por controlar com precisão a vazão do refrigerante para cada unidade evaporadora. Essa regulação permite máxima eficiência mesmo em cargas parciais, além de manter a temperatura mais estável. Na verdade são elas as responsáveis pelo controle do superaquecimento, o que garante a eficiência do sistema como um todo e evita problemas com o compressor inverter. Decerto você leitor, imagina que o compressor é o componente mais caro, e sim, é verdade!
● Condensadores modulares
Permite a combinação de múltiplas unidades externas, formando sistemas de alta capacidade. As condensadoras de última geração, como o Set Free Sigma da Hitachi e o VRV 6 da Daikin, trazem melhorias aerodinâmicas e trocadores de calor otimizados. Não obstante, os condensadores em módulos garante maior flexibilidade do projeto e da instalação em si. É possível fazer a obra em etapas ordenadas.
● Unidades internas variadas
Cassete, duto, piso-teto, parede, entre outras. Essa flexibilidade facilita o projeto arquitetônico e permite atender diferentes demandas dentro do mesmo prédio.
● Sistema de controle inteligente
Os VRFs atuais contam com automação integrada, sensores de temperatura e umidade, apps para smartphone e acesso remoto via nuvem, permitindo monitoramento em tempo real e manutenção preditiva.
Principais novidades em VRV/VRF no Brasil
Lançamentos que estão revolucionando o setor
Daikin VRV 6 com VRT avançado
A nova geração da Daikin aprimorou o sistema VRT (Variable Refrigerant Temperature), que ajusta não só a vazão de gás, mas também a temperatura de evaporação conforme as condições de carga e clima. O resultado? Economia energética significativa e maior conforto térmico, especialmente em regiões com grande variação de umidade e temperatura.
Hitachi Set Free Sigma
Produzido no Brasil, o Set Free Sigma vem com condensador em formato “σ” que amplia a área de troca térmica. Isso se traduz em maior eficiência sob carga parcial. Além disso, seu gabinete reforçado foi projetado para resistir à corrosão em ambientes agressivos, como zonas litorâneas.
LG Multi V 5 com Dual Sensing Control
O controle dual da LG considera temperatura e umidade simultaneamente, entregando climatização mais precisa. Isso reduz a sensação de abafamento e melhora a eficiência ao evitar desumidificação excessiva. Ideal para centros comerciais, escolas e escritórios com alta ocupação.
Integração com automação e IoT
Outra tendência inegável é a automação HVAC. As novas plataformas de VRV/VRF já vêm prontas para integração com sistemas BMS (Building Management Systems), possibilitando:
- Monitoramento remoto 24/7
- Alarmes e alertas em caso de falhas
- Registro de histórico de consumo
- Controle por smartphone, tablet ou desktop
- Atualizações de firmware OTA (over the air)
Esses recursos não só reduzem custos operacionais como também estendem a vida útil dos equipamentos.

Avanços em eficiência energética e sustentabilidade
O mercado brasileiro também está migrando para refrigerantes com baixo GWP, como o R-32, que tem menos impacto ambiental sem comprometer a performance. Além disso:
- Unidades modulares permitem escalabilidade sem desperdício
- Compressores inverter reduzem picos de consumo
- Automação inteligente evita sobredimensionamento de carga
- Sistemas de recuperação de calor são cada vez mais comuns
Esses fatores tornam os sistemas VRV/VRF opções sustentáveis e compatíveis com projetos LEED e certificações ambientais.
O crescimento expressivo do mercado no Brasil
De 2023 para 2024, o mercado brasileiro de VRF cresceu 17%, segundo dados da Revista do Frio. Ademais, os sistemas já respondem por cerca de 46% do setor de climatização centralizada, superando chillers e outros métodos em projetos comerciais e de alto padrão. Todavia, é bom sempre dizer que o VRV cresce no ramo de conforto térmico. Para processos específicos, cada caso é um caso.
Desafios e oportunidades:
Apesar das vantagens, o setor ainda enfrenta desafios:
- Alto custo inicial. No entanto, como o ROI é rápido, o investimento incicial compensa, pense no consumo de energia.
- Mão de obra técnica especializada ainda escassa. Mesmo em grandes centros como São Paulo Capital.
- Complexidade na instalação e comissionamento. Na verdade trata-se de uma instalação mais cheia de detalhes do que de dificuldades. Claro, sem falamos aqui, profissionais, empresas, engenheiros, projetistas, todos têm de ser capacitados e principalmente creadenciados dos fabricantes.
Por outro lado, esses mesmos desafios abrem portas para empresas capacitadas, que oferecem diferenciação no serviço, suporte técnico e projetos customizados.
Conclusão: o que esperar daqui para frente?
As novidades do setor de VRV/VRF e o futuro dos mesmos no Brasil é promissor. Em resumo, a tendência é clara: mais tecnologia embarcada, mais automação, mais eficiência. Portanto, quem atua no setor e se mantém atualizado garante lugar de destaque no mercado. Assim, seja você instalador, engenheiro, consultor ou proprietário de empresa, vale investir em capacitação e buscar fornecedores que ofereçam suporte técnico e atualização constante.
Eu vou ficando por aqui!
Eng. Joao Agnaldo Ferreira (Consultor nesta área)



























































